2012/04/10

História #04
Autor: Gato (um (im)perfeito (des)conhecido)

Eu amo-te! Fico grato e feliz por me teres acolhido como se eu fosse teu irmão. E, de fato, somos. És o primeiro a quem ligo se alguma coisa não está bem e, embora, por vezes, não consiga dizer-te tudo o que queria por não querer chorar ou por não querer parecer fraco e vulnerável, só porque te sinto do outro lado da linha me fazes sentir acarinhado e protegido. Quando preciso de um abraço, penso logo em ti. Não sei explicar porquê, mas o teu abraço penetra bem fundo no meu coração e a minha realidade, mascarada o mais que consigo perante os outros, quer emergir e quebrar as barreiras que me separam e cercam de todo e qualquer alguém. Eu sei que algum dia, algum breve dia, o teu abraço me fará soltar lágrimas e mostrar o meu magoado eu. E estreitará mais ainda a nossa intimidade. Amo-te, mano!
História #03
Autor: Cesinha (efemerinetidades)

UM APENAS

Ele estava tão próximo de mim... o calor do seu corpo, meu peito arfando. Proximidade que desfoca o olhar, enevoa os pensamentos... nada restava, espaço único, um só perfume, duas fragrâncias...
Ele chegou. Tímido, primeira vez em minha casa. Embora nos conhecêssemos há quase um ano, era a primeira vez que estaríamos a sós. Minha casa, meu território, que eu queria fosse dele, que ele tomasse posse, como havia tomado, aos poucos, de mim. Senti que ele estava sem jeito.
Mostrei-lhe a casa. Do quarto, ficou parado à porta. Seus olhos assustados... quem sabe o que seguia em seus pensamentos! Eu falava, explicava, gesticulava, ria, ao que ele me acompanhava com meia dúzia de palavras soltas. (Tremulas?)
Eu tentava firmar meu corpo. Transpassar minha falsa segurança como firmeza pra ele. Resvalei minha mão na dele. Sem querer. (Sem querer?) Ele corou. Ligeiramente. Perguntou a quantas andava meu trabalho final de patologia sistêmica. Perguntei se ele iria me ajudar. Se podia passar a noite comigo.
Ele perguntou se eu queria rever alguns pontos críticos do trabalho. Eu perguntei se ele estava com fome. Ele perguntou se eu tinha comigo o livro de fisiologia comparada. Eu perguntei se ele queria beber alguma coisa. Água. Ele me pediu um copo de água. Encostado na pia, estendi-lhe o copo. Ele me olhou.
Duas fragrâncias, um só perfume, espaço único. Nada resta quando os pensamentos se enevoam, os olhares se desfocam e a proximidade é tanta que o calor dos corpos, o arfar dos peitos, sobrepostos se encontram. Próximos, tão próximos, que a noite nos abraçou. Éramos um apenas.
História #02
Autor: Lenin Foxx (estórias do mundo)

DIÁLOGO

- Oi.
- Oi?
- Sabe quem 'tá falando?
- Não, desculpa - pausa olhando o número no celular - Não, não sei quem é.
- Sou eu. Cheguei finalmente.
Coração acelerado.
- Não acredito.
- Pois acredite sim. Eu estou aqui. Vem me ver?
- Claro. Onde? Vamos ver um filme?
- Ah, não queria ficar numa sala escura com você.
- Pois tudo o que quero é ficar no escurinho com você.
- Safado!
Risos, em ambos os lados da linha.
- Um cineminha e comer algo depois, que tal?
Segundos pensando.
- 'Tá!
Alívio.
- Que horas?
Pausa olhando as horas no celular. Calculo rápido de quanto tempo gasto no ônibus. Queria ir em casa tomar um banho, mas não agüento esperar mais por este encontro.
- Daqui a uma hora? Cinema e comida tailandesa?
- Tailandesa?! Não sabia que você gostava.
- Adoro!
- 'Tá, te encontro lá.
Uma hora de agonia. Uma hora de vontade de ver o tempo voar e ele se arrasta. E esse ônibus que não se mexe. Peguei o primeiro que passou, mas outros três que também passavam lá já nos ultrapassaram. Cheguei. Entrei no shopping. O celular toca. Cadê? Cadê?
- Oi, já cheguei. Você 'tá onde?
- Perto dos banheiros do térreo.
- 'Tô indo aí.
Não espero a escada rolante. Passos apressados. Cheguei.
- Oi.
- Oi.
Ele sorriu então e me puxou para um abraço.
História #01
Autor: Pinguim (whynotnow)

“Tinha sido há nove meses - o tempo de uma gestação - que o tinha conhecido através de um site de encontros onde ambos tínhamos um perfil.
De uma simples troca de mensagens, passámos num curto espaço de tempo a uma demorada e cada vez mais sedutora troca de mails onde nos íamos dando a conhecer e onde aprendemos a gostar um do outro. O MSN completou este percurso de conhecimento mútuo e então reparei que aliada à beleza interior que já me tinha sido dada a conhecer, havia a beleza externa e ele era o que eu sempre tinha idealizado fisicamente. 
Mas estávamos longe um do outro, muito longe, e o passo seguinte, que seria o conhecimento real, não era exactamente o mesmo de marcar um encontro para tomar um café, nem mesmo uma deslocação a outra zona do país. Obrigava a ir a um país desconhecido, a ter com ele. E se as coisas não corressem bem? Se o retrato que ambos tínhamos feito um do outro falhasse por qualquer motivo, sexo incluído? Valeria a pena? 
Arrisquei e fui. O encontro no aeroporto foi quase comovente e as palavras faltaram-nos. No táxi que nos transportou ao centro da cidade, ao seu apartamento, apenas tínhamos os nossos dedos mindinhos unidos e trocávamos sorrisos nervosos, mas estávamos a viver um momento único. 
Chegados a sua casa, e mal a porta se fechou, abraçámo-nos no mais longo e no mais terno abraço de toda a minha vida. O nosso primeiro abraço, ao fim do qual não havia mais dúvidas e todos os temores e nervosismos se diluíram num primeiro beijo.
O primeiro de muitos, o primeiro de uma nova vida que hoje continua…”

2012/04/08

Quem não guarda na memória aquele abraço?
(O abraço que mais me marcou foi dado a um amigo no cais da Gare do Oriente. Entre gente apressada que entrava e saía das carruagens, aquele momento pareceu-me em câmara lenta, como no cinema. Foram uns segundos imensos. E foi o primeiro grande abraço que dei a um amigo, pelo que julgo que será sempre aquele abraço especial.)

Sob este mote, é hora de lançar uma nova edição do PIXEL - CONCURSO DE PEQUENAS HISTÓRIAS LGBT, que terá agora a sua segunda edição. O concurso vai decorrer entre 10 e 30 de abril de 2012, fica subordinado ao tema “Aquele abraço” e as regras são as constantes do pequeno regulamento que se segue.

Deixo-vos o cartaz de apresentação e desde já fica feito o convite para participarem, acompanharem e divulgarem mais este concurso.


E, como sempre, escolho uma música para banda sonora.

Aquele abraço (Gilberto Gil)

REGULAMENTO

§1
A 2.ª edição do PIXEL | CONCURSO DE PEQUENAS HISTÓRIAS LGBT decorrerá entre 10 e 30 de abril de 2012 e ficará subordinado ao tema "AQUELE ABRAÇO”.

§2
As histórias a concurso devem ser enviadas, dentro do período referido no número anterior, para sadeyes.gf@gmail.com, indicando o nome ou nick e linque ou endereço de e-mail com que os autores querem ser identificados. As histórias serão publicadas no blogue Good friends are hard to find (em http://good-friends-are-hard-to-find.blogspot.com/), à medida e pela ordem que forem recebidas.

§3
As histórias terão que ser originais e podem ser contadas em qualquer formato (p.e.: texto, banda desenhada, imagem, som, etc), desde que sejam editáveis em blogspot.com e que o autor forneça, por e-mail, todos os elementos necessários à sua publicação.

§4
As histórias contadas em formato de texto devem ser preferencialmente em português e não deverão ter mais de 250 palavras.

§5
O vencedor do concurso será escolhido em votação que decorrerá no blogue Good friends are hard to find (em http://good-friends-are-hard-to-find.blogspot.com/).
"A tradição já não é o que era."
Expressão (que podia ser) gay.

2012/04/06

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The marvelous dream | Dr. Dee, 2012 | Damon Albarn.

2012/04/05

Já fui...
... a Sarilhos Grandes


Hoje é dia de ir.
É sempre bom saber que existe uma placa que nos indica a saída de Sarilhos. E, porque vivemos num Mundo de oportunidades, ali mesmo ao lado ainda entramos em Sarilhos Pequenos, de onde, por muito contraditório que pareça, é muito mais difícil sair, por ter ar de beco sem saída.
Pérolas da toponímia, ao som de Conquistador (Da Vinci).
Faz hoje 18 anos que Kurt Cobain morreu.

Kurt Cobain
Um mito, ao som de The man who sold the world (Nirvana).