Para os que têm o coração a
Indumentária para os dias de Sol, que parecem ter vindo para ficar...
Ao som de I need you now (Adele).
2013/01/31
2013/01/30
É cíclico, mas acabo sempre a ler o Poema temperamental, talvez porque os poemas digam mesmo o que os poetas não querem...
Poema temperamental
Joaquim pessoa
Ó caralho! Ó caralho!
Quem abateu estas aves?
Quem é que sabe? quem é
que inventou a pasmaceira?
Que puta de bebedeira
é esta que em nós se vem
já desde o ventre da mãe
e que tem a nossa idade?
Ó caralho! Ó caralho!
Isto de a gente sorrir
com os dentes cariados
esta coisa de gritar
sem ter nada na goela
faz-nos abrir a janela.
Faz doer a solidão.
Faz das tripas coração.
Ó caralho! Ó caralho!
Porque não vem o diabo
dizer que somos um povo
de heróicos analfabetos?
Na cama fazemos netos
porque os filhos não são nossos
são produtos do acaso
desde o sangue até aos ossos.
Ó caralho! Ó caralho!
Um homem mede-se aos palmos
se não há outra medida
e põe-se o dedo na ferida
se o dedo lá for preciso.
Não temos que ter juízo
o que é urgente é ser louco
quer se seja muito ou pouco.
Ó caralho! Ó caralho!
Porque é que os poemas dizem
o que os poetas não querem?
Porque é que as palavras ferem
como facas aguçadas
cravadas por toda a parte?
Porque é que se diz que a arte
é para certas camadas?
Ó caralho! Ó caralho!
Estes fatos por medida
que vestimos ao domingo
tiram-nos dias de vida
fazem guardar-nos segredos
e tornam-nos tão cruéis
que para comprar anéis
vendemos os próprios dedos.
Ó caralho! Ó caralho!
Falta mudar tanta coisa.
Falta mudar isto tudo!
Ser-se cego surdo e mudo
entre gente sem cabeça
não é desgraça completa.
É como ser-se poeta
sem que a poesia aconteça.
Ó caralho! Ó caralho!
Nunca ninguém diz o nome
do silêncio que nos mata
e andamos mortos de fome
(mesmo os que trazem gravata)
com um nó junto à garganta.
O mal é que a gente canta
quando nos põem a pata.
Ó caralho! Ó caralho!
O melhor era fingir
que não é nada connosco.
O melhor era dizer
que nunca mais há remédio
para a sífilis. Para o tédio.
Para o ócio e a pobreza.
Era melhor. Concerteza.
Ó caralho! Ó caralho!
Tudo são contas antigas.
Tudo são palavras velhas.
Faz-se um telhado sem telhas
para que chova lá dentro
e afogam-se os moribundos
dentro do guarda-vestidos
entre vaias e gemidos.
Ó caralho! Ó caralho!
Há gente que não faz nada
nem sequer coçar as pernas.
Há gente que não se importa
de viver feita aos bocados
com uma alma tão morta
que os mortos berram à porta
dos vivos que estão calados.
Ó caralho! Ó caralho!
Já é tempo de aprender
quanto custa a vida inteira
a comer e a beber
e a viver dessa maneira.
Já é tempo de dizer
que a fome tem outro nome.
Que viver já é ter fome.
Ó caralho! Ó caralho!
Ó caralho!
Poema temperamental
Joaquim pessoa
Ó caralho! Ó caralho!
Quem abateu estas aves?
Quem é que sabe? quem é
que inventou a pasmaceira?
Que puta de bebedeira
é esta que em nós se vem
já desde o ventre da mãe
e que tem a nossa idade?
Ó caralho! Ó caralho!
Isto de a gente sorrir
com os dentes cariados
esta coisa de gritar
sem ter nada na goela
faz-nos abrir a janela.
Faz doer a solidão.
Faz das tripas coração.
Ó caralho! Ó caralho!
Porque não vem o diabo
dizer que somos um povo
de heróicos analfabetos?
Na cama fazemos netos
porque os filhos não são nossos
são produtos do acaso
desde o sangue até aos ossos.
Ó caralho! Ó caralho!
Um homem mede-se aos palmos
se não há outra medida
e põe-se o dedo na ferida
se o dedo lá for preciso.
Não temos que ter juízo
o que é urgente é ser louco
quer se seja muito ou pouco.
Ó caralho! Ó caralho!
Porque é que os poemas dizem
o que os poetas não querem?
Porque é que as palavras ferem
como facas aguçadas
cravadas por toda a parte?
Porque é que se diz que a arte
é para certas camadas?
Ó caralho! Ó caralho!
Estes fatos por medida
que vestimos ao domingo
tiram-nos dias de vida
fazem guardar-nos segredos
e tornam-nos tão cruéis
que para comprar anéis
vendemos os próprios dedos.
Ó caralho! Ó caralho!
Falta mudar tanta coisa.
Falta mudar isto tudo!
Ser-se cego surdo e mudo
entre gente sem cabeça
não é desgraça completa.
É como ser-se poeta
sem que a poesia aconteça.
Ó caralho! Ó caralho!
Nunca ninguém diz o nome
do silêncio que nos mata
e andamos mortos de fome
(mesmo os que trazem gravata)
com um nó junto à garganta.
O mal é que a gente canta
quando nos põem a pata.
Ó caralho! Ó caralho!
O melhor era fingir
que não é nada connosco.
O melhor era dizer
que nunca mais há remédio
para a sífilis. Para o tédio.
Para o ócio e a pobreza.
Era melhor. Concerteza.
Ó caralho! Ó caralho!
Tudo são contas antigas.
Tudo são palavras velhas.
Faz-se um telhado sem telhas
para que chova lá dentro
e afogam-se os moribundos
dentro do guarda-vestidos
entre vaias e gemidos.
Ó caralho! Ó caralho!
Há gente que não faz nada
nem sequer coçar as pernas.
Há gente que não se importa
de viver feita aos bocados
com uma alma tão morta
que os mortos berram à porta
dos vivos que estão calados.
Ó caralho! Ó caralho!
Já é tempo de aprender
quanto custa a vida inteira
a comer e a beber
e a viver dessa maneira.
Já é tempo de dizer
que a fome tem outro nome.
Que viver já é ter fome.
Ó caralho! Ó caralho!
Ó caralho!
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Poemas temperamentais
"Como está o teu coraçãozinho?" Foi assim que uma amiga, com quem não falava há uns meses, meteu conversa no chat do facebook. Perplexo, por nunca ter falado assim tão abertamente com ela sobre esse assunto, optei por fazer conversa de circunstância sobre família e trabalho.
É certo que há uns meses tive a sensação que a minha irmã, que é muito amiga dela, andava armada em Cupido, talvez por saber que temos muitas coisas em comum: idade, estado civil, filhos da mesma idade, gostos musicais... De facto, tudo isto contribuiu para que tenhamos conversas interessantes, e foi o que aconteceu na última vez que estivemos juntos, nas férias. Nessa altura, entre outras coisas, falámos desta nossa natureza de pais "solteiros", e de que os nossos filhos não devem ser impedimento para vivermos a nossa vida amorosa. Enquanto falávamos, pensava especialmente nela, que vive a tempo inteiro com o filho, pelo que não deve ter muito tempo para investir numa nova relação.
Essa conversa trouxe-me à memória a história de uma amiga minha que ficou orfã de mãe aos 8 anos. Ela e o irmão foram criados pelo pai, que sempre viveu exclusivamente em função deles. Quando eles acabaram a faculdade e começaram a trabalhar o pai arranjou uma namorada, e começou aí, aos 50 e tal, a reviver a sua vida sentimental.
Sempre achei aquele história fascinante, por aquele homem ter assumido a responsabilidade de criar dois filhos, sozinho. Por outro lado é uma história que me angustia, mais hoje, por perceber que ele abdicou de 15 anos da sua vida para se dedicar exclusivamente aos filhos.
Nos últimos anos tenho vivido este dilema na primeira pessoa, sempre com a consciência de que não devemos abdicar de nada, porque não será nunca possível viver uma felicidade que adiámos.
Pais e filhos, ao som de Father and son (Cat Stevens).
Sempre achei aquele história fascinante, por aquele homem ter assumido a responsabilidade de criar dois filhos, sozinho. Por outro lado é uma história que me angustia, mais hoje, por perceber que ele abdicou de 15 anos da sua vida para se dedicar exclusivamente aos filhos.
Nos últimos anos tenho vivido este dilema na primeira pessoa, sempre com a consciência de que não devemos abdicar de nada, porque não será nunca possível viver uma felicidade que adiámos.
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2013/01/28
Verdade ou consequência?
No sábado à noite a minha flôr de estufa desafiou-me para jogarmos ao "verdade ou consequência?",,e embora esperasse alguma inocência nas perguntas e respostas, fiquei na expetativa.
Comecei por questioná-la sobre namorados na escola, mas as respostas foram de grande convicção "verdade" e "não". Depois perguntei-lhe se já tinha copiado nos testes, e mais uma vez "verdade" e "não". Ainda me deu uma lição dizendo que se copiassem a professora lhes tirava os testes. Subi a fasquia e fiz-lhe as maiores provocações: se já tinha mentido à mãe e se gostava mais do pai ou da mãe. Vacilou na primeira, mas lá saíram finalmente duas "consequências". Claro que nunca se pergunta a uma criança se gosta mais do pai ou da mãe, mas é delicioso vê-los embaraçados :-)
Com a inocência esperada, eu não tive direito a perguntas sobre namorad@s, e até tive pena, porque gostava de ter visto a forma das perguntas. Depois de algumas questões iniciais mais inocentes, entrou no registo, aproveitou muito bem as deixas e também me "entalou" ao perguntar se já tinha mentido à minha mãe e se tinha copiado nos testes. Lá tive que me sujeitar às consequência de andar ao pé-coxinho e fazer abdominais, mas com bom pai que não mente e tem que dar o exemplo, justifiquei-me dizendo que na faculdade era permitido fazer testes com consulta :-)
No domingo lembrou-me com um sorriso maroto que eu tinha mentido à minha mãe, e suspeito que os próximos fins-de-semana terão novas verdades e consequências.
Verdade ou consequência, ao som de True (Spandau Ballet).
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2013/01/27
2013/01/25
Foxygen.
We Are The 21st Century Ambassadors Of Peace And Magic é o primeiro álbum da dupla de Los Angeles, Sam France e Jonathan Rado, com produção de Richard Swift (um dos meus compositores de eleição).
Shuggie é o primeiro single, e é a minha sugestão "on the radio", com desejo de bom fim-de-semana.
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On the radio
2013/01/24
Ouvi dizer, hoje pela manhã, que: "estamos só de passagem, mas vivemos com muita intensidade, por isso, às vezes, ampliamos demasiado algumas coisas e algumas pessoas".
Um problema de escala, mais uma vez...
Um problema de escala, mais uma vez...
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ouvi dizer
2013/01/23
Rapazes dos perfumes.
Jared Leto volta a ser o rapaz dos perfumes da nova fragrância da Hugo Boss Red Means Go.
Jared Leto volta a ser o rapaz dos perfumes da nova fragrância da Hugo Boss Red Means Go.
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rapazes dos perfumes
2013/01/22
A semana passada, no programa "Fala com ela" da Radar, o encenador e coreografo, Rui Horta, dizia que o "amor é o mais importante na vida ... porque o amor é uma relação de escala, o amor é a nossa relação de 1 para 1 ... e isso é uma âncora essencial na vida".
Eu acrescentaria que, quem não entende isto não poderá nunca amar...
Recomendo a audição do programa, com banda sonora de Noiserv.
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2013/01/20
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