2012/12/31


História #32
Autor: K. (Ser outro que não eu)

Os chocolates que recebi pelo Natal fazem uma montanha na secretária e não sei por quanto tempo mais conseguirei resistir. Já tinha ultrapassado a síndrome de abstinência e os familiares, sem que se apercebessem, voltaram a aguçar-me o desejo. E é difícil controlar-me, mesmo pensando que o devo fazer para bem do meu pâncreas. Às vezes penso que mais valia ser obeso ou diabético e não poder comer chocolates. Mais valia não gostar de ti. Assim não sentiria um vazio por já não te ter.
Devia ter dado ouvidos ao Fernando Pessoa e aprendido a refrear os meus sentimentos. Devia ter dados ouvidos à minha mãe e não ser guloso. Mas mesmo ouvindo sou surdo e converti toda a tristeza – oh, e ela era [e ainda é…] tanta! – que se apossou de mim quando acabámos numa necessidade de comer chocolate. Não me sabia tão dependente de ti porque assim que me cativaste reformulei inconscientemente conceitos como “amor” e “nós”. Nós eramos um, uma unidade plural, indissociável e não havia outra forma possível de existirmos! Mas afinal tu podias existir com outro e eu com chocolate. Pelo menos durante uns tempos – tal como tu te fartaste de mim também eu acabei por me fartar de chocolates. (nunca de ti…)
Vou comer mon cheri. Nunca gostei mas pode ser que me embebede e que depois da ressaca perca toda a vontade de comer os restantes chocolates. E que esqueça que gosto de ti. Há quem desenvolva resistência à insulina. Eu hei-de resistir-te.

História #31
Autor: Maíra (Nossa família colorida)

REVELA-SE. E FIM.

"Após tantos anos, retorno para casa. Olho ao redor e vejo a cidade onde cresci: o céu azul, os raios de Sol brilhando naquela tarde de verão, a areia fina e clara sob meus pés, o mar sereno perdendo-se na imensidão. É meu primeiro Natal em família em quase dez anos. A poucas quadras dali, meus pais e irmãos comemoram com seus excessos alimentares, bebidas e risos incansáveis. Enquanto isso, revezo minha vigília entre o mar e a casa vizinha. E espero. Espero por ela. Fecho os olhos e lembranças do passado povoam meus pensamentos. Ela. Sua pele bronzeada e macia, cabelo escuro e longo esvoaçando sobre seus olhos enormes e lascivos, seus movimentos femininos, seu cheiro doce, seu sorriso provocante, seus lábios... aqueles lábios que conheciam cada parte do meu corpo. Seus beijos povoaram meus sonhos durante todos esses anos. Como estaria? Ainda pensaria em mim?
A hora passa. Olho a casa. A porta se abre num relance. É ela! Estremeço. Meu coração dispara. Desvio meus olhos. Vejo quando ela atravessa a rua e para, a poucos metros de distância. Fico sem reação. Devo chamar seu nome? De repente ela volta seus olhos na minha direção e se aproxima. Sinto meu corpo esmorecer. Nossos olhares se cruzam. Ela mudou. Mas ainda é a mesma.
- Ana...?
- Isa...
- Nossa! Quanto tempo!
- Pois é...
Silêncio.
- Voltou quando?
- Ontem.
- Voltou para passar as festas com a família?
- Não. Voltei por você." 

2012/12/30


História #30
Autor: Abraço-te (Abraço-te)

AQUELE ABRAÇO... NATALÍCIO

O ultimo trocado por nós, soube a uma sensação triste,
De despedida, de sofrimento, de solidão,
Sabemos que ao assunto fugiste,
E a distancia fez acontecer a separação.

De despedida, de sofrimento, de solidão,
Passou 4 meses, de esperança, de oportunidades,
Embora a razão sempre presente na tua reacção,
Certo é, certo são, as Saudades

Sabemos que ao assunto fugiste,
Esse assunto que é estarmos separados,
Sabemos que não como resolver, é triste,
E vivemos com os corações apertados.

É a distancia que faz acontecer a separação
Foi o que quis dizer aquele abraço
Vou agora para o Aeroporto com o coração na mão,
Eu sei que o próximo abraço em lágrimas me desfaço.

Será Aquele Abraço de...Todo o sentimento,
Que a quadra natalícia assim o diz,
Passar o final do ano contigo é um grande momento,
E vou dizer ao ouvido o que a canção diz...Stay!!!



Abraço-te
"Boas entradas."
Expressão (que podia ser) gay, com o desejo de um 2013 o melhor possível.

2012/12/29


História #29
Autor: PS (Fragmentos)

UMA DANÇA INESPERADA

Era chocolate quente. Esse era o aroma que se infiltrou em mim quando me beijaste. Um trago desse delicioso líquido que se difundiu, que me aqueceu, que me reconfortou; uma pitada de canela misturada com um travo de limão que me fez desejar; umas gotas de essência de baunilha que me ajudaram a ver mais além do que mostravas.
Era de tarde, uma dessas tardes escuras e chuvosas de Inverno onde o vento de Natal soprava e nos fustigava, quase como que lançando-nos para os braços um do outro.
Sob um guarda-chuva, chegaste mais perto e olhaste-me com esse teu olhar cor de cacau. Deixámos que os nossos corpos se tocassem, primeiro com um beijo, lento que se tornou rápido e frenético; depois com caricias e por fim com um abraço.
Sussurraste-me ao ouvido: “isto não é uma declaração, é um aviso” ao mesmo tempo que entrelaçavas os teus dedos nos meus, como uma promessa silenciosa. Todo o meu interior estremeceu, todo eu me distendi e me comprimi. Não sabia se era um sonho, uma realidade paralela, um milagre de Natal. Foi repentino, lindo e fugaz tal como uma melodia inesperada que nos faz palpitar convulsivamente o coração e nos provoca calafrios.
Sempre disse que, neste baile que é a Vida, não somos mais que sombras que deslizam pelo salão, rodopiando sem parar; e que assim será, até que encontremos alguém com quem dançar quando o som do piano cessar e quando, no silêncio, apenas o bater dos nossos corações ditar o compasso. Por isso, pergunto-te: Dás-me a honra desta dança?

2012/12/28


História #28
Autor: M. (Welcome to Adulthood)

“Não há outro lugar no mundo onde gostaria de estar neste momento a não ser a teu lado”, dizia a mensagem que Miguel já lera vezes sem conta.
Pousou o telemóvel e olhou lá para fora, para a neve que caía insistentemente. Paris nunca lhe parecera tão negra e desinteressante como nessa noite. Fora obrigado a mudar-se devido ao seu emprego, há 4 meses atrás, e desde então que não via Bruno, o seu namorado. Infelizmente, os bilhetes de avião tinham ficado demasiado caros quando Bruno finalmente conseguiu confirmar as suas férias de Natal.
Com amargura, Miguel acendeu um cigarro, deixando as lágrimas correrem livremente. Desde que tinham assumido uma relação, há 10 anos atrás, que passavam o Natal um com o outro. As saudades já estilhaçavam o seu coração em mil pedaços, levando-o a considerar o despedimento, decisão a que Bruno se opusera veemente. “O nosso amor é mais forte que a distância”, dissera ele. Contudo, viver cada dia sem aquele que era a sua outra metade, era destino a que não desejava nem ao seu pior inimigo.
A campainha tocou e Miguel olhou para o relógio que marcava 20.10. As pizzarias francesas eram, de facto, bastante rápidas e eficientes. Pesarosamente, arrastou-se até à porta, pegando na carteira pelo caminho, apenas para a deixar cair ao abrir a porta.
- Achavas mesmo que te ia deixar passar o Natal sozinho?
- Mas...
- Vim de autocarro!
Miguel pegou em Bruno e beijou-o longamente, ao mesmo tempo que saboreavam as suas lágrimas. Estas, agora, de pura felicidade.

2012/12/26


História #27
Autor: Sad eyes (Good friends are hard to find)

PEDRO

O Pedro tinha 8 anos e vivia num Lar de Acolhimento com outros meninos com vidas como a sua. Aos 4 anos o Tribunal retirou-o da mãe, porque ela o abandonava em casa. Mas dizem que é preferível uma má mãe do que não tê-la, e o Pedro só conhecia aquela. A cada promessa de uma visita ele ficava eufórico. Quando ela vinha, chegava de BMW, trazia-lhe presentes, por uns dias ele voltava ao seu quarto, e depois… era largado ali de novo. Aquele tinha sido mais um ano difícil. O Pedro fugia durante a noite; a polícia encontrava-o; ele passava mais umas horas na esquadra e regressava ao Lar. Nesse mesmo ano descobriu-se que o monitor que dormia no Lar, e que tinha crescido naquela instituição, andava a convidar meninos para o seu quarto... Mais uma marca que ficava nas suas curtas vidas.
Eu tinha pouco mais de 20 anos. Por essa altura, a minha família, nas épocas festivas, acolhia dois irmãos que moravam naquele Lar, e que não tinham família. Por essa razão eu era convidado daquela festa de Natal. E era uma festa bonita, com muitas crianças aparentemente felizes. O Pedro recebeu uma grande pista de carros, mas nem abriu a caixa. Aquele menino, tantas vezes endiabrado, parecia um anjinho sentado no sofá, triste como poucas vezes. A tristeza dele deixou-me um aperto no coração. Sentei-me junto dele e tentei falar dos presentes para animá-lo. Ingenuidade minha. Ele estava mesmo triste e os presentes não tinham importância. Mais uma vez havia promessas de presença da mãe na festa e de uns dias com ela. E mais uma vez, como tantas outras, ela não tinha vindo.
Passaram-se 15 anos e nunca mais soube do Pedro, mas lembro-me sempre dele e da lição que aprendi naquele Natal.

2012/12/25

O presente de Natal do Ricardo.
Um presente especial, em dia de Natal, para o principezinho que tem UMA OUTRA FACE :-)

Ao som de Break on through (to the outher side) (The Doors).

2012/12/24

Com o desejo de um feliz Natal, ao som de Avé Maria (por Kasia Kowalska).

O presente de Natal do Abacalhoado Misterioso.
Para um rapaz que gosta de fazer perguntas :)
Com pronúncia do Norte, ao som de GNR, só porque não conheço nenhuma versão dos Xutos & Pontapé... 


Ao som de Pronúncia do Norte (GNR e Isabel Silvestre).
O presente de Natal do Kuma.
Porque apenas uma vírgula pode fazer muita diferença.

2012/12/23

"Adorar o Menino."
Expressão (que podia ser) gay.

2012/12/22


História #26
Autor: Kuma (Vírgulas do destino)

O PRÍNCIPE RAPOSINHO

Num reino muito, muito distante,
Vive um lindo raposinho.
Com o coração mais puro que o diamante,
Ele é o Príncipe mais fofinho!

O Príncipe era um rapaz mal amado!
Ele vivia muito infeliz!
Fora sempre tão invejado,
Que nunca tivera aquilo que sempre quis!

Porém, um belo dia,
Aconteceu algo especial!
O Príncipe andava em romaria,
Quando conheceu um rapaz, no dia de Natal!

Algo nasceu naquele olhar!
Que grande alegria, que grande satisfação!
Mas tudo acabou por se desmoronar:
Pois o rapaz partiu-lhe o coração!

O rapaz interesseiro,
Um dia decidiu partir.
Não lhe deixou paradeiro:
Fez tudo o que queria, só para se divertir.

O Príncipe, desnorteado,
Ficou de novo sozinho.
Pediu ajuda, desesperado,
Enquanto chorava baixinho!

O Destino, sempre cuidadoso,
O Príncipe decidiu ajudar:
Enviou-lhe um ursinho carinhoso,
Para dele cuidar!

E assim, começamos a escrever a nossa história...

O presente de Natal do NonSense
E que o desalento com a blogosfera lhe passe depressa :-)

Ao som de The nonsense song (Modern times.

2012/12/21

Last Christmas.
Este Natal esta música persegue-me. Talvez seja da letra... O Natal passado o meu coração era de alguém, que dias depois o deitou fora e... não o consegui dar de novo a ninguém especial.

Começou com versão que já conhecia (e que teve para ser o tema deste Pixel)...


Depois, a versão que descobri (talvez a melhor de todas), por causa da história Pixel do Rodrigo...


Por fim, a versão partilhada por dois bloguistas que vivem Felizes juntos :-).


História #25
Autor: Namorado (Namoro com um pop star)

SÓS
(Técnica: Esferográfica sobre cartolina)



2012/12/20


História #24
Autor: o filho

O MEU PAI

Nunca tive grande ligação com o meu pai. Vivíamos numa aldeia do interior, e ele passava a semana em Lisboa a trabalhar, vendo-o apenas ao fim de semana. Por isso, o seu falecimento repentino, há uns 15 anos, precisamente num desses fins de semanas em que estava connosco, não foi particularmente doloroso.
Duas semanas depois apareceu lá em casa um homem à sua procura. A minha mãe tinha saído, e fui eu que o recebi. Quando lhe disse que o meu pai tinha falecido de enfarte, ficou muito abatido. Perguntou se podia conversar um pouco comigo. Na sala, enquanto bebíamos um chá, disse-me que o meu pai era um homem muito especial, e gostava muito de mim. Respondi que não tínhamos uma relação muito próxima. Então ele disse “Chamo-me António, tenho mulher e uma filha da tua idade. Durante os últimos 15 anos vivi com o teu pai em Lisboa. Não morei apenas com ele, vivi com ele e digo-te que ele foi a pessoa mais fantástica que conheci na minha vida. Apesar dele gostar da sua família, tal como eu gosto da minha, encontrámos um lugar nos nossos corações para um amor muito especial, fraterno e profundo, como nunca tinha sentido. Ao longo deste tempo, à distância, assisti ao teu crescimento, à tua entrada na escola, à tua ida para a universidade… de certa forma, eras também meu filho.”
Ficámos a falar durante toda a tarde. Não queria acreditar. Na verdade, só conheci o meu pai depois dele morrer.
O presente de Natal do Francisco
"Non aedificandi" é uma expressão latina utilizada paras definir áreas onde não é possível edificar.
E esta t-shirt é uma provocação ao amigo Francisco, naturalmente :-)
Espero que ele consiga construir algo, nem que seja uma casa na árvore :-)


Ao som de Treehouse (I'm from Barcelona).

História #23
Autor: Arrakis (Mélange)


NOEL

Fechou a porta de casa e já na rua, puxou as golas para cima. Subiu a rua cansado depois de um dia cheio, como são todos os dias de Natal. Desde que viviam juntos que se tornara hábito as famílias juntarem-se lá em casa. Era uma conquista de que tanto ele como Pedro se orgulhavam. Tinham conseguido, não sem esforço, que as famílias aceitassem a relação e isso deixava-os felizes.

Não se via vivalma e estava tudo fechado. Pelos vistos não ia conseguir comprar cigarros.
Caminhou pelas ruas vazias desfrutando a cidade só para si. Depois de umas quantas voltas, retirou o maço da algibeira e olhou para o último cigarro com desalento.
- Que se lixe - disse enquanto o acendia.
Amachucou o maço e lançou-o para a papeleira presa ao candeeiro. O maço rodopiou e entrou certeiro pelo buraco mas o barulho que produziu fê-lo dar um salto. Um som esganiçado saía de lá de dentro. Meteu a mão cuidadosamente e sentiu algo fofo e macio. Conseguiu agarrá-lo e puxou-o.
Dois olhos meigos e assustados fixaram-se nos seus. Era um rafeiro malhado com dois, três meses no máximo. Latia e tremia de frio. Ele olhava o cão incrédulo. E agora? Deixava-o ali? Levava-o?
O cachorro gania aflito e ele aconchegou-o dentro do sobretudo.

Voltou para casa. Pedro lia no sofá e sem olhar perguntou:
- Conseguiste os cigarros?
Estranhando o silêncio e ao ver que escondia algo debaixo do sobretudo, olhou-o expectante.
- Cigarros não...mas tivemos um presente especial – disse abrindo o sobretudo.
- Toma! - e passou-lho para os braços. Foi amor à primeira vista, como calculara.
Pedro pegou nele e nunca mais o largou enquanto ouvia toda a história.
Por fim, disse: - Vamos chamar-lhe Noel.

História #22
Autor: Silvestre (Blog do Silvestre)

6,5,4,3,2,1...

Não consigo expandir.
Sou um músculo tenso, parado,
Prolongado numa cãibra rasgada
no comprimento do meu abecedário emocional.
Sou uma palavra curta sem elasticidade e
a quimera da dilatação não agiliza a minha fé.
Na morte cerebral do nosso amor
será completa a minha necrose.
Decidi.
Sobram seis dias depois deste Natal feliz
ventilado mecanicamente.
Dois homens infecundos somos.
Eu ficarei, desistente.
Desligo.
6
5
4
3
2
1
...

2012/12/19

O presente de Natal do Mark
Ao som de Mariah Carey :-)


Ao som de All i want for christmas is you (Mariah Carey).

História #21
Autor: Hotei (Any more than a whisper)

THE RECIPE OF CHRISTMAS

What a night!, can't wait to get back home and shower off this awful smell of food I have!!...the restaurant was so busy tonight!, its the day before Christmas eve, what do I expect silly me!. Made myself a hot cup of tea right after a steaming shower put on my favourite red woollen socks and grabbed my laptop... I don't want to hear the word food tonight nothing!!!... not even the sight of it I had enough of it!!.
Logged on skype...
(seconds later)
“HELP!.... HELP!! ….Mr Chef I need help!”
“What’s the matter Guga?” I asked promptly!
“Tomorrow is Christmas eve and I am to bring food to the dinner my mother is organising! But I have no idea how to get this right!!”.
“Great” I thought, “more food!”.
“What is you plan to do my dear Guga?”
“Sericaia!!” “Please help me Alex, You know what sericaia is right?”
“SURE!!! I do that’s easy! ” I replied without thinking... (My Brain)-“right! Never heard of it! And I'm suppose to tell him!!! brilliant Idea Alex!... stupid... stupid Alex!!!”
Quickly asked the omnipotent “Google”
And a recipe of this cracked up looking custard appear!
Cam was switched on to find this innocent looking man staring at me from miles away.. half covered in flour in a messy kitchen..how could I say no?.....I just wished to break the glass that was keeping us apart, and kiss those crimson lips of his ...
Like a tiny obedient boy he followed my instruction and tips one after the other, looking and smiling to me... every time we looked in each others eyes...
Combine the sugar flour and salt...”smile...your wonderful smile”... add the milk “love the way you removed a droplet of milk from your hand with your lips I wish I was that drop of milk...”...Add the cinnamon stick and lemon zest “how much I wish I could be there now...what would I give!”...Mix in egg yolks...whip the whites !! “God I wish this never ends!” Place in baking tray, and sprinkle some more cinnamon “Your eyes I just can't get enough of them” Bake!!...
The result was a complete catastrophe!!! but taste came out good at least!!his mum congratulated him.”
Merry Christmas

(Versão traduzida, fornecida pelo autor)

Que noite!
Preparei um chá bem quente. Após um duche revigorante, calcei as minhas meias favoritas e fui para o computador... 
"Socorro...Socorro...!"
"Que se passa, Guga?" – perguntei.
“Amanhã é noite de Natal e eu não faço a mínima de como fazer isto!” – respondeste, quase desesperado.
Boa! Mais comida! – pensei eu.
"Que planeias fazer, meu querido Guga? "
"Sericaia! Ajuda-me, Alex! "
"Sabes o que é sericaia, certo? "
"Claro que sim! É fácil!" – respondi eu, sem pensar.
Não fazia ideia do que era sericaia... enfim...
A webcam estava ligada, por isso eu podia ver o olhar inocente deste homem que me olhava a quilómetros de distância.. Meio coberto de farinha numa cozinha em pantanas.
Como é que eu poderia dizer não?
Só queria partir o vidro que nos mantinha separados e beijar os lábios vermelhos do seu...
Como um menino pequeno e obediente, ele seguiu as minhas instruções e dicas, uma após outra, olhando e sorrindo para mim...
“Mistura a farinha, o açúcar e o sal.”
Sorriste.
O teu maravilhoso sorriso.
“Adiciona o leite.”
Adoro a forma como chupaste a gota de leite da tua mão!
Eu queria ser aquela gota de leite...
"Adiciona o pau de canela e as raspas de limão."
Como queria estar aí agora!
Eu dava-te tudo!
"Mistura as gemas, mexe as claras.”
Meu Deus, como queria que isso nunca acabasse!
“Coloca no forno e polvilha um pouco mais de canela.”
Os teus olhos, eu não consigo cansar-me deles!
“Leva ao forno!”
O resultado final foi um desastre! Mas o sabor saiu bem!
A mãe dele felicitou-o!

2012/12/18


História #20
Autor: Jaime (O blog do Jaime)

No Natal a mãe desaparece, a avó que perdeu um filho, perto do Natal, bate nos netos com a fivela do cinto porque faltam ratinhos de chocolate na velha árvore.
No Natal a mãe continua longe, a avó não bate porque também está longe... toda a família está longe.
No Natal os irmãos choram abraçados, sozinhos no meio de tantas outras crianças, agora, com uma árvore que não tem apenas ratinhos.
No Natal a família tenta perceber o espírito. A mãe desaparece, a tia cuida, o Natal não existe.
No Natal a família tenta perceber o espírito e é feita a primeira árvore de Natal, com a ramada de um pinheiro real.
No Natal a mãe fica sozinha, eles os três ficam juntos, não é um feliz natal.
No Natal eles são mais, há árvore, há prendas e há álcool em excesso.
No Natal há álcool em excesso.
Em todos os Natais há álcool em excesso.
No Natal há um incêndio em casa, no mesmo Natal alguém vive na rua.
No Natal um dos irmãos esconde-se para não ser visto a entrar no carro de mais um desconhecido.
No Natal há amigos, há família e há um táxi antes da hora de abrir os presentes.
Neste Natal há família, não tanta família, há amor, há vontade e há luzes, neste Natal há felicidade, há coragem e há paz, neste Natal alguns ficam para trás mas neste Natal há um sincero e verdadeiro Feliz Natal!

História #19
Autor: Rodrigo Teixeira (Um Certo Capitão Rodrigo)

LAST CHRISTMAS

O primeiro encontro foi em um café um dia antes, conversaram durante três horas, Pensou: Esse é o cara e desta vez não deixaria passar.
A noite não dormiu, precisava fazer alguma coisa, afinal, serão trinta dias longe fisicamente. E o que os olhos não vêem, o coração não sente - dizem.
Na rodoviária, ansioso pois já era quase dez para sete, e o ônibus do outro sairia as sete e três e ainda nem sinal do dito.
O suor da água mineral escorria por sua mão, enquanto segurava com cuidado o kitkat na outra. Nervos, diria o médico.
O coração acelera ainda mais quando avista a armação escura do cara:
_ O que você esta fazendo aqui? Tu não falou nada que irias viajar?
_ Mas não vou, só vim te trazer isso - estendendo a água e o chocolate - e te desejar uma boa viagem.
Não precisou falar nada, aquele olhar e cara de cão sem dono já enchia de satisfação, era 21 de dezembro e realmente o mundo poderia acabar ali, agora.
Se abraçaram. O outro partiu.
Quando o ônibus já estava quase fazendo a curva seguindo seu rumo, a janela se abre:
_ Ei.. Feliz natal, feliz natal.
Será o melhor, pensei.

(The XX - Last christmas)
Rapazes dos perfumes.
Oriol Elcacho, o modelo catalão, da nova campanha da Massimo Dutti in Black.



Ao som de The way you look me tonight (Bryan Ferry).

História #18
Autor: Namorado (Namoro com um pop star)

DEUS

O João estava sozinho no mundo. O Filipe sozinho estava. Eram duas almas alheadas, que não queriam sofrer mais. O João tinha sido abandonado pela família aos cinco anos de idade, pelo que nunca soube o que eram ligações. O Filipe, desde que descobriu ser HIV positivo, deixou-se isolar por tudo e por todos.
Naquela noite, curiosamente, talvez empurrados pelo destino, saíram de casa. Vagueavam pelo Chiado ancestral, sem rumo, nem objectivos de maior. Ao longe, ouviram música. Afinações suaves, coordenadas, que os puxavam sem resistência.
O João subiu os degraus de calcário gasto, entrou e sentou-se. Ficou a admirar a talha dourada, abstraindo-se de tudo o resto, até porque não nunca foi católico. Porque quem passou, o que ele passou, nunca poderia acreditar em Deus.
Minutos depois, apareceu o Filipe. Ficou precisamente do lado oposto. Deixou-se permear pelo calor da Missa do Galo e recordou quando era praticante e acreditava. Mas desde que soube o que a vida lhe reservou, que não podia voltar a acreditar em Deus.
Bastaram segundos, para que se sentissem. Para que fundissem olhares. Para que no fim da cerimónia, saíssem calados, e, como rato e gato, tentassem perceber o que os unia e impelia. Até que, por baixo de uma sacada, pararam. E sem pensar na reacção alheia, beijaram-se. Primeiro a medo. Depois prolongadamente. Até que, Filipe quebrou a mudez e disse: “Não sabes nada sobre mim”. Pelo que o João apenas lhe retorquiu: “Espero que me dês a oportunidade de emendar esse erro”.

História #17
Autor: # o meu eu aprisionado (# o meu eu aprisionado)

INDO PELA RUA PERDI-ME NO TEU OLHAR (...)

Saí do trabalho e desci a rua íngreme, a caminho da estação. O meu pensamento vagueava na espectativa de mais uma ceia junto da família, que me aguarda na casa da aldeia. Entre os passos e as luzes da noite gélida, cruzo-me com um olhar profundo, que se fixa em mim, como se já fizéssemos parte integrante um do outro.
Sem que alguma palavra fosse pronunciada, prendi-me no azul dos teus olhos, marcados num rosto preenchido pela barba, que me impediam de desviar o pensamento. Subtilmente ecoou dos teus lábios um … Olá! Que me fez rasgar um sorriso tímido, com um perverso desejo de te beijar. Compartilhamos a emoção e o desejo transformou-se em experiência. Aproximaste-te da minha boca e suavemente, sentimo-nos, enquanto as mãos percorriam os nossos corpos acariciando, com um toque delicado, os rostos arrefecidos pela noite.
Sem que nos impuséssemos algum limite, beijamo-nos, consumando um abraço profundo e reconfortante, em que me senti quente e esqueci por minutos o frio que nos envolvia. Senti o teu respirar ténue pelo meu pescoço, provocando-me um arrepio de satisfação.
Cingi-me ao teu perfume que queria gravar na minha memória, para que me acompanhasse na viagem até casa.
Em tom de despedida, escutei e absorvi as tuas palavras (…) acabamos de nos conhecer e já és especial para mim, tem um Feliz Natal

2012/12/17


História #16
Autor: Pedro (Entalado no armário)


História #15
Autora: Margarida (mas tu és tudo e tivesse eu casa tu passarias à minha porta)

VIRGEM MARIA

- Se não páras com isso, ainda levas mais. – a mãe disse, à mesa do jantar.
A criança fungou. Nas lágrimas deslizava, irremediavelmente, o sonho perdido, que se derramava a seus pés.
- Sinceramente, que ideia a tua! – a mãe prosseguiu – Que haveriam de pensar de nós?
O pai disfarçou o olhar e baixou a cabeça. Mastigou devagar a batata cozida e engoliu a  vergonha.
A criança mordeu o lábio inferior, tentando reter os soluços.
- Eu só queria… - a tentativa de verbalizar o seu desejo resultou numa bofetada que lhe rachou o lábio e a deitou da cadeira abaixo.
Olhou-a, de olhos esbugalhados, com sangue e lágrimas que se enleavam na língua. Notou o sabor acre e salgado, como das outras vezes, mas agora doía-lhe mais. Sentiu um abandono tão grande, como se o ardor dos dedos cruéis da mãe fosse um prenúncio dos dias difíceis por que teria que passar.
- Basta! – o pai levantou-se. Fora a gota de água.
- Se apoiares essa ideia maluca, eu vou-me embora – ela ameaçou.
Ele ajoelhou-se, abraçou a criança e limpou-lhe o sangue com as pontas dos dedos.
- Serás a mais bonita virgem maria da peça da escola – garantiu-lhe.
Ouviram a cadeira a arrastar, a porta a bater, os dias cinzentos a afastarem-se.
O rapazinho ergueu os olhos marejados para o pai e perguntou timidamente. 
- Prometes?
Envergando um manto azul celeste e contemplando um menino jesus deitado nas palhinhas, todo ele resplandecia, qual estrela de belém.

História #14
Autor: João & Luís (INDEX ebooks)

INCENSO E MIRRA?

Tenho 33 anos, estou desempregado e agora fiquei sozinho. O meu namorado, Jonas, deixou-me, julgo que para sempre, com um curto beijo embaraçado e triste. A minha mãe, Marta, ainda não sabe de nada. E do meu padrasto, Jorge, não sei eu desde os 12 anos. Conheceram-se na Nazaré. Marta era uma rapariguinha modesta, filha de pescadores pobres. Jorge era um homem feito, serralheiro mecânico de profissão, um pouco calado e ensimesmado. No dia em que foi viver com ele, Marta disse-lhe que estava grávida, mas garantiu-lhe que ainda era virgem. Ele saiu porta fora, furioso, mas regressou nessa mesma noite, cabisbaixo e resignado.
Passados nove meses nasci, debaixo de um viaduto. A história do meu nascimento já foi contada milhares de vezes. Jorge e Marta tinham ido a Lisboa, para uma manifestação anti-troika frente ao palácio de Belém, mas o carro avariou na A8. O meu padrasto não tinha saldo para chamar o 112. Era noite, estava frio e não havia ninguém, a não ser as ovelhinhas, as vaquinhas e os burrinhos, que ruminavam mansamente, e eu nasci. Mas de súbito, a confusão! Primeiro, apareceu um helicóptero, pairando por cima do viaduto, projetando um forte foco de luz branca diretamente sobre mim. Depois, montados em três grandes limusines escoltadas pelas sirenes furiosas das motos da polícia, surgiram um preto americano, uma loira gorda alemã e um português com olhos de cherne, que saíram para me oferecer ouro, incenso e mirra. Ouro ainda vá! Mas incenso e mirra?

(Monty Phyton - A vida de Brian)

História #13
Autor: Weasley (Deleted Scenes)

OS SALTIMBANCOS

Um dia escrevo-te uma carta, com a letra mais cuidada que os meus dedos já pariram, de poucas linhas, para teres tempo de a ler.
Seria um convite formal, para que juntos nos aventurássemos a percorrer os telhados destas casas que avisto, decoradas com fé e luzes multicolores.
De sobretudo e cachecol, intrépidos íamos saltando, silenciosos como felinos, pelos tijolos insidiosos, com a adrenalina a pulsar na carótida. De coração apavorado, páro, paramos, digo-te aos olhos, se estiveres para cair, agarra-te a mim, assim caímos os dois, tu respondes és tonto, sorrio e abano a cabeça, tu não entendes, és a minha fraqueza, avanças para mim, de braços abertos, mas escorregas, o pé direito a ser arrastado, a minha respiração cessa e lanço-te um braço, agarro-te, puxo-te contra mim, sinto a tua alma a palpitar.
Envolves-me.
Ali ficamos, por momentos ronda um pássaro, piando, talvez faminto, talvez confuso, enquanto esvoaça para longe, assalta-nos um vento gélido, e eu abraço-te com força, e tu abraças-me com mais força ainda. Enfraqueço o meu abraço, elevo a mão aos teus cabelos, pressiono o calor da tua nuca, junto os meus lábios aos teus.
Já só há noite, mas uma noite com vários sóis a fazer de lareira, ocultos pelas pálpebras, ardem na tua boca.
Despertamos e, de novo, existem os tijolos, as casas, as luzes, o frio.
Existes tu, a esperar por mim, existe a minha mão, ainda nos teus cabelos, e eu digo-te Lle naa vanima, ruboriza-se o teu rosto, não o distingo, mas conheço o teu corpo, pegas na minha mão e juntas-lhe um beijo. Continuamos a jornada, olha o céu, reparas tu, eu olho o céu e chovem luzes, rastos intermitentes, os meteoros presentes de deus.
Sentamo-nos no telhado menos íngreme à vista, retiro a manta da mochila, tapamo-nos, os braços a ancorar os ombros.
Como a destruição pode ser tão bela, sussurro, enquanto miramos o espetáculo, não me destruas, tens medo?, desde o princípio, não entendo... (não entendes...) já pediste um desejo, pedi todos, pedi a tua companhia para sempre, para sempre?, para sempre, assim destróis a minha liberdade, a tua liberdade..., sorris e eu fico a amar-te com frio.
Erguemo-nos, preparados para mais uns saltos, e aos tropeções e às risadas, fomos largando rebuçados nas chaminés sem fumo, o medo de te perder a pesar-me em cada passo.