2015/01/02

Uma das minhas experiências mais interessantes de 2014 foi a iniciação ao Couchsurfing.
Depois de uma roadtrip de verão - e em parte devido aos incentivos dos Dois Coelhos - percebi que seria enriquecedor se, em viagem, fosse conhecendo pessoas que me mostrassem as suas cidades.
Posto isto, decidi iniciar a minha atividade como couchsurfer (começando pelo princípio, o couch), disponibilizando o meu sofá a viajantes. Feito o registo, comecei a receber pedidos, e - com todas as cautelas que estas experiências requerem - nos meses que se seguiram hospedei 1 italiano, 1 espanhol, 2 belgas e 3 franceses. Como a minha casa é muito pequena, estabeleci que só hospedaria uma pessoa de cada vez, apenas rapazes e, preferencialmente, só por 1 ou 2 noites, pelo que tive que declinar mais de 90% dos pedidos recebidos. Mas como não há regra sem exceção, acabei por receber 1 espanhol durante 3 noites e 2 franceses de uma só vez (e um deles era tão giro, que fiquei sem saber o nome do outro). Sim, porque nestas coisas também se pode lavar as vistas (e tanto que haveria por contar de um belga escultural que, durante 2 dias, se passeou lá por casa em tronco nu).
A experiência foi fantástica, acima de tudo pelas pessoas que conheci e pelas histórias das viagens de cada um. Com aqueles que ficaram por mais do que 1 noite, foi possível ter uma cumplicidade maior e conversas deveras interessantes. A língua nunca foi barreira, até porque alguns falavam português razoalmente bem ou vinham com vontade de aprender (dizem que o português está na moda), e para os restantes bastava o inglês.
Mas se procuramos uma experiência verdadeiramente enriquecedora, temos que receber apaixonadamente: acolher de braços abertos, fazer de cicerone pela cidade, convidar para jantar, sair para beber um copo... E geralmente são pessoas que estão em modo roadtrip mas que vêm à descoberta, pelo que acolhem muito bem todas as nossas sugestões e mudam as suas rotas de viagem para segui-las.
Apesar de cozinhar não ser a minha vocação, há 2 ou 3 coisas simples que fazem um brilharete quando convido amigos, e mais ainda para quem gosta de experimentar pratos regionais, e é raro aquele que não tire a foto da praxe, para o facebook ou para mais tarde recordar :) Aqueles que ficaram por mais do que uma noite também retribuiram cozinhando, e todos me presentearam com algo: o mesmo belga que se passeava em tronco nu fez um delicioso prato vegetariano; o espanhol fez tapas; o italiano trouxe-me pastéis de Salamanca; uns franceses e um belga ofereceram-me cerveja (francesa e belga, naturalmente); um outro fracês trouxe-me uma garrafa de licor para o jantar :)
Acabei por descobri uma mão cheia de europeus, que são uma espécie de "coelhos" que já viajaram por meio mundo; gente que perdeu a conta ao n.º de países que conhece e que não concebem a ideia de viajar sem ter esta experiência verdadeiramente fascinante. Grande parte das conversas que tive com cada um deles foi sobre Portugal (as minhas sugestões para as suas viagens que continuavam) e sobre os locais que eles já tinham visitado. A par disso vi muitas fotos das suas viagens, no meio de muitas outras partilhas culturais.
Para este novo ano, desejando continuar a receber pessoas da forma seletiva que já aconteceu, espero iniciar a segunda parte do plano: o surfing.
Talvez seja esta uma nova forma de conhecer o Mundo e quem o habita.
Admirável Mundo novo, ao som de This World (Selah Sue)

20 comentários:

  1. Se eu tivesse casa para isso também o faria.
    Actualmente, só se partilhassem a minha cama...

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    1. João, a minha casa é muito pequena, mas basta um pequeno sofá na sala, ou espaço para um colchão. Os couchsurfers são muito pouco exigentes. Houve até quem me sugerisse colocar uma tenda no pátio.
      Uma das primeira regras que estabeleci foi a de não ceder a minha cama nem a partilhar com ninguém :)

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  2. Couchsurfing é uma experiência fantástica! Já perdi a conta do número de surfers que recebi, ainda espero pela oportunidade de surfar. Conhecer cidades sob o ponto de vistas de seus moradores, creio eu que seja o ponto mais significativo do Couch. Tive experiências e aprendizados que me marcaram muito. Quanto a insegurança no começo é normal, por mais open minded que você seja, mas te garanto que é uma rede muito segura. Eu só soube de um único incidente negativo de um português em NY, que foi dopado por uma porto-riquenha e quase abusado por um amigo dela.
    Agora quanto aos "troncos", acostume-se pois são muito comuns (..ai...ai.. so many stories )

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    1. Dominus, eu também aprendi muito com os poucos CS que recebi.
      Mas é preciso ter cautelas. Recusei alguns pedidos por serem de pessoas que não tinham qualquer referência ou que não tinham fotos. Mas julgo que se percebe relativamente bem quem é serio e quem não é.
      Quanto aos "troncos", temos mesmo que nos acostumar e manter o controlo :)

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  3. Tenho um sofá na sala. Vou debruçar-me sobre essa ideia :)

    Abraço amigo

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    1. Fazes muito bem Francisco :)
      Abraço

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  4. Uma experiência muito enriquecedora, decerto. Não sei se teria coragem para o fazer (a mãe declinaria, certamente), mas acho giríssimo, além de ser uma partilha interessante e uma troca de vivências / experiências. Muito giro mesmo.

    um abraço.

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    1. Mark, é natural esse receio todo ao início, mas julgo que será algo para fazeres apenas quando tiveres a tua casa. Eu também só o faço quando estou sozinho na minha.
      Mas para começar podes ser um couchsurfer que não hospeda e que apenas se disponibiliza para ir mostrar a cidade ou beber um café, porque nem todos os couchsurfers procuram dormida.
      abc

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  5. Uma idéia Bem interessante:-)
    Para quem vive em cidades, que no campo estaria mais na moda partilhar um sobreiro xD

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    1. Horatius, eu vivo numa cidade no meio do campo (e campo mais campo não deve haver) :)
      quem anda em modo de roadtrip dorme onde lhe oferecerem alojamento e se for no campo não será menos interessante, certamente :)

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    2. Olha, tinha a ideia que vivias em Lisboa, mas já vi que devo estar uns 100 Kms enganado xD
      Abraço :)

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    3. as aparências enganam :)

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  6. Que giro! Escreves de tal forma convincente que nos entusiasmas a experimentar!

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    1. Força João :)
      Estou certo que vocês dois seriam belíssimos anfitriões :)
      Abraço.

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  7. Não conhecia mas parece ser muito interessante.. Deixaste-me com vontade de experimentar :)

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    1. Força Ricardo :)
      A experiência é mesmo muito interessante.
      Mais do que uma forma de viajar sem pagar alojamento, é uma forma de conhecer pessoas em viagem.
      Abraço e bem-vindo.

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  8. :-) Eu há uns largos anos fui ao site do couchsurfing ver como era, e até crie conta mas mais naquela de brincadeira, e acabe por receber 2 pedidos. Acabei por falar com uma das pessoas e foi engraçado o que ele me contou pela net. Eu até tenho espírito aventureiro mas acompanhado :-S.

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    1. Eu tenho espírito aventureiro, acompanhado e sozinho :)
      Como digo no post, é preciso ter as cautelas devidas, mas percebendo como o site funciona, não e dificil receber pessoas bem referenciadas e que são sérias de certeza.
      Tenta de novo :)

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  9. eu já recebi pessoas em casa em couchsurfing e ao ler este post deu-me vontade de receber mais, fui logo falar com o artista para ver se ele alinhava! :P

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    1. Tens que o ambientar, para depois irem surfar os dois pelos sofás do mundo :)

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