De passagem por Badajoz com dois amigos, há dois dias, encontrei este cartaz nos asseos de uma hamburgueria. E até estou de acordo com o mote (que podia ser gay), e que diz tanto sobre os nossos dias..., mas achei particular graça à cumplicidade dos dois rapazes, que não se deve pretender que seja mais do que amizade.
Não menos interessante era o menu que nos dava a escolher o tipo de batatas fritas existentes: gajo ou bastón. Como em tudo na vida, há gostos para tudo, e houve quem comesse gajo e quem preferisse bastón.
Na verdade empurraram-me... com o meu consentimento :)
Fiz um salto de paraquedas em Tandem, com um gajo giro agarrado às minhas costas, salvo seja. Subimos a mais de 4000 m de altitude, no meio do Alentejo, passeámos de avioneta, disfrutámos a vista, que é fantática (avistámos as Serras de Sintra e da Arrábida, os Estuários do Tejo e do Sado, Tróia, o Atlântico...), saltámos do avião, descemos a mais de 200 km/hora em queda-livre durante 1 minuto, o paraquedas funcionou e de repente pareceu que ficámos a planar, demos umas quantas piruetas que me deixaram enjoado umas horas, o paraquedista ainda me deixou "manobrar" o paraquedas durante uns segundos (mais umas piruetas), continuámos a descida a cerca de 20km/hora, e aterrámos em beleza.
Foram uns largos minutos de descida, parte deles com a adrenalina nos pícaros, mas o tempo voou, e nem deu tempo para ansiedades, receios ou hesitações.
E quando tudo isto é feito com bons amigos, só pode ser fantástico :)
Há uns anos tive um colega de trabalho com quem, à partida, não tive grande empatia, além de que o achava bruto, conflituoso e com maus modos. Por coincidências, nessa altura conheci um rapaz (gay) que era um dos melhores amigos dele, e que me afiançou que ele era homofóbico. Não me espantou, até porque encaixava no perfil que já havia traçado.
Tempos depois, quis o destino (e o meu chefe) que ele viesse trabalhar para junto de mim. Surpreendentemente foi a mim que ele recorreu para pedir ajuda nas novas tarefas que então lhe eram estranhas; e contrariamente ao esperado começou a haver uma empatia muito grande entre os dois, tendo se construido uma amizade que dura até hoje.
Nessa altura eu fazia natação e ele acabou por se fazer de convidado para me acompanhar nas idas à piscina. Por vezes, ficávamos sentados a olhar para quem nadava, e ele começava a comentar os corpos dos rapazes que por lá andavam. Uma vez comentou que achava graça aos garotos com calças a meio do rabo. Com frequência presenciei conversas dele com o irmão mais novo, via telemóvel, e enternecia-me o registo carinhoso e algo paternalista, que terminava sempre com troca de beijos.
Mas a maior surpresa veio na altura em que ele foi pai de um menino; certo dia ele começou com aquelas conversas que quase todos os homens têm sobre os filhos irem ser uns "garanhões" com as raparigas, mas de repente mudou radicamente de registo e disse:
"... mas se ele for gay, também não há problema; claro que eu prefiro que ele não seja, unicamente por ele, porque se ele for, irá ter uma vida muito mais dificil".
Foi a primeira (e talvez única) vez que ouvi um pai dizer isto de um filho. Esta frase, vinda de alguém que, a dado momento, julguei ser homofóbico, é a prova de que nem sempre as primeiras impressões são as últimas ou as melhores.
Agora raramente falamos, mas é um dos grandes amigos que deixei nas Beiras.
Para comemorar os 40 anos de abril - e na senda do running - ontem fui com um amigo à Corrida da Liberdade. Nada como quase madrugar num dia feriado, para atravessar o Tejo e Lisboa, e estar às 9h30 na Pontinha. Na viagem de metro, desde o Chiado, as carruagens foram enchendo de gente pronta a correr, o que só por si é entusiasmante. Sem grandes ambições, corremos 11 km até aos Restauradores, em 59 minutos (objetivo cumprido). A descida da Avenida da Liberdade, em verdadeiro sprint final, foi inspiradora para o resto dia, e atravessar Lisboa a correr, no meio de um mar de gente, foi um dos grandes momentos a registar.
E como dizia há dias o nosso amigo Ricardo, as várias esferas nem sempre se tocam, mas em dia de celebração da Liberdade isso aconteceu: a esfera do running tocou na esfera dos "amigos gays", a esfera dos "amigos gays" tocou na importante esfera da minha filha... Claro que nem sempre estão reunidas as condições para que isto aconteça, e são passos que só começo a dar agora; mas os astros alinharam-se e aconteceu, sem qualquer plano prévio.
No 25 de abril tem acontecido ser dia de almoço de pai e filha, geralmente junto ao mar, mas ontem convidei esse meu amigo para almoçar connosco perto da Gulbenkian; Depois de uma deliciosa Tagliatelle al salmone, fomos até aos jardins da Fundação, onde passámos um belo e divertidíssimo pedaço de tarde, os 3, a comer gelado de eucalipto (igualmente delicioso) e em amena cavaqueira no relvado junto ao lago.
No regresso à Margem Sul, passámos pelo Cristo Rei para ver Lisboa cheia de sol, comprámos a VISÃO edição especial de 2 de Maio de 1974, e acabámos a tarde em casa, no jardim a jogar basket e futebol.
De mochila às costas e com muitos quilómetros pela frente, levava a esperança ao rubro, nos planos de muita diversão entre amigos... Em jeito de "ouvi dizer", a vida e a falta de Sol fizeram uns planos ligeiramente diferentes, mas igualmente memoráveis.
De comboio em comboio, foram muitas horas com amigos e com amigos de amigos; leitão na Mealhada; ovos moles, tripas, viagem de moliceiro, ensopado de enguias e noitada em Aveiro; pão-de-ló em Ovar; sol e beira-mar em Espinho; muitas dores nos gémeos e mais noitada em Coimbra; pasteis de Vouzela e sopa dourada de Alcobaça, pelo caminho.
No passado sábado realizou-se um encontro de bloggers (e antigos bloggers), ou aquilo a que um amigo nosso chamaria de "dar a face ao blogue".
Foi um prazer reencontrar alguns conhecidos e conhecer mais umas caras dos blogues. Será uma noite para recordar.
Um obrigado especial ao João por ter realizado este encontro de amigos (penso que já é mais do que um jantar de blogues), e espero que se repita por muitos e bons anos.
Deixo-vos o "desejo Nicola" que deveria ter publicado no sábado, mas que ficou prometido ;-)
Ontem realizou-se o encontro de participantes do PIXEL.
Foi a oportunidade de conhecer mais alguns bloggers, de reencontrar outros e, num momento único, de ver sentados à mesma mesa os vencedores das três edições deste concurso de histórias. Entre gins e muita conversa, ainda houve tempo para uma sessão de autógrafos :-)
Agradeço, por esta via, a todos os que aceitaram o convite e estiveram presentes.
Deixo-vos com a "banda sonora oficial" (provavelmente desconhecida da maioria) de uma tarde com sabor a mar. :-)
2012 foi um ano difícil e já esperava que, pelo menos, os dois meses iniciais de 2013 fossem igualmente maus. Assim está a ser (terrivelmente maus), mas há que sobreviver-lhes... e por muito que odeie o inverno, acho que nunca ansiei tanto por uma primavera.
O dia 1 foi um dia de ressaca: da passagem de ano e de um ano inteiro.
Mas tentando ser otimista, se 2012 teve algo de bom, a meia-dúzia de bloggers que conheci pessoalmente estão nessa short list :-)
O último dia do ano começou com um pequeno-almoço com o nosso querido amigo K., que é uma pessoa tão encantadora como aquilo que escreve. Como se já não tivesses bastado a sua companhia numa manhã chuvosa na invicta, ainda se juntou à lista de bloggers que me conseguiram roubar abraços durante este ano (e eu que sou de abraço difícil!). Além de tudo isso ainda me presenteou com um "selo", que serviu para, duas horas antes da meia-noite, eternizar a minha amizade com o meu amigo C., que me proporcionou dois dias magníficos de final de ano (embora às vezes seja um amigo desnaturado).
O Bon Iver esteve fantástico, as The Staves foram uma agradável surpresa (na primeira parte) e a companhia do Ricardo foi, como sempre, cinco estrelas.
A noite continuou com a companhia de mais um "amigo bloguista", que foi um prazer conhecer :-)
(Acabei, também, por ver a última pessoa que gostava de ter encontrado nessa noite, mas talvez tenha servido para aprender mais umas coisas sobre a vida...)
Este foi um dos momentos altos no Campo Pequeno :-)
2012/09/28
O Hórus atribuiu-me um dos seus Liebster Award, pelo que aqui estou a dar as minhas respostas :-)
Parece que fui dos últimos a postar, mas descobri 11 que não o fizeram e enviei convite, mas desafio todos os que por aqui passam e que ainda não tenham respondido.
1 – Qual a tua cor favorita?
Azul (talvez porque quase todas as mulheres da minha vida têm olhos azuis) 2 – Qual a tua viagem de sonho?
Nova Zelândia (Fascina-me saber que é o outro lado do Mundo)
3 – Partilha algo engraçado sobre ti.
Lancei uma garrafa ao mar no dia 1 de janeiro de 2010. Lá dentro tinha uma baleia origami azul, na qual eu e a minha irmã escrevemos os nossos e-mails. Aguardamos por notícias de um desconhecido :-)
4 – Qual a música mais especial para ti? Porquê?
É difícil escolher só uma, mas esta é especial, por ser... agridoce.
(Foi com esta música que o Ed Harcourt me conquistou e já a ouvi milhares de vezes).
5 – Se tivesses uma Máquina do Tempo, onde gostavas de ir? Porquê?
Queria assistir ao meu nascimento :-)
E se pudesse fazer mais duas viagens gostava de assistir igualmente ao nascimento dos meus pais.
6 – Qual a tua maior qualidade?
Gosto de ajudar os outros.
7 – Qual o teu maior defeito?
Teimoso (mas já fui muito mais...).
8 – Se pudesses mudar algo na tua vida, o que mudavas?
Mudava de cidade (para começar, claro).
9 – Encontras a lamparina mágica e dela sai um génio que te concede um desejo. O que pedirias?
Pedia que me concedesse mais um milhão de desejos, e depois oferecia um a cada um dos meus amigos :-)
(Já tinha partilhado esta ideia com a minha filha, que achou-a fantástica :-)
10 – Qual a maior loucura que fizeste até hoje por amor?
Foram algumas mas, como foram pela pessoa errada, não contam. Serei capaz de loucuras maiores.
11 – Dá um título para o livro que é a história da tua vida.
Eu.
Sempre encarei a palavra “amigo” com alguma parcimónia.
Quando chamo “amigo” é porque o considero, e enquanto não é, deixo lá todas as minha barreiras, até que se faça o percurso temporal e de acontecimentos que justifique a mudança.
E porque acredito cada vez menos em coisas instantâneas, nestes últimos tempos tenho investido em amizades com
amigos/colegas/conhecidos de longa data ou de hà 1 ou 2 anos (e preferencialmente mais próximos da minha idade, ressalvando excepções).
A este propósito, tenho-me lembrado de uma piada que ouvi há
muitos anos num stand up:
“Se hoje em dia podemos comprar quase tudo em pó e
basta juntar-lhe água, então como será quando inventarem a água em pó?”
Talvez esta piada-metáfora resuma e explique que não vale a pena pensar em relacionamentos instantâneos (de amizade ou outros), porque não haverá mais nada para lhes juntar nem os poderemos juntar a nada; E a resposta até parece algo bíblica: o que vier em pó, em pó ficará.
Li por aí num blogue que não podemos ser a locomotiva de algumas amizades/relações. Partilho a desilusão.
E como há muito tempo não tinha um fim-de-semana só para mim, decidi ir acampar sozinho, algures na Costa Alentejana, para olhar o Mundo azul à minha frente e ver um pôr-do-sol sentado numa falésia.
Sem convite, um amigo fez-se de convidado, propôs o destino e aqui vamos.
Já experimentaram marcar um encontro para dali a 20 anos?
A vida que vivemos dá para isto tudo...
Há dez anos atrás combinei um encontro com uma pessoa. Estávamos no ano de 2002, tínhamos perdido o rasto ao dia em que nos havíamos "encontrado", por isso, marcados pelas muitas distâncias, combinámos que - mesmo que não nos conhecêssemos antes - nos encontraríamos dali a 20 anos, no dia 22 de julho de 2022, pelas 22h00, num lugar especial, no meio do Atlântico.
Ao dia de hoje, e neste momento, só faltam dez anos...
Conhecemos-nos um ano depois em Lisboa e chegámos a falar algumas vezes no encontro marcado para dali a duas décadas. Pela primeira vez tinha conhecido alguém que gostaria que tivesse sido o
meu melhor amigo de uma vida inteira. Não foi, embora me tenha marcado de forma que não questiono. Mas entretanto afastámos-nos; voltámos a encontrar-nos uns anos depois nas redes sociais; depois disso estivemos juntos 2 ou 3 vezes; mas foi, e é, tudo vazio demais. A amizade que construimos nos primeiros 3 anos perdeu-se, e já não existe absolutamente nada.
E aquilo que há dez anos poderia parecer um acordo patético, hoje parece-me uma poética cena de um filme, e surpreendentemente natural. Assusta-me apenas a sensação de o tempo ter passado depressa demais.
Não me esqueci, e julgo provável que ele também não, mas se estaremos ou não, no local e hora marcada, é uma incógnita e sê-lo-á (pelo menos para mim) nos próximos dez anos.
Sempre foram um dos busílis da questão. Desde miúdo que os abraços me incomodavam. Aqueles apertos forçados que me obrigavam a aproximar-me demasiado dos outros. Cresci e os abraços continuaram a ser um problema. As muitas despedidas, os regressos e os momentos de felicitações, que requeriam mais do que dois beijos ou um aperto de mão, redundavam em abraços que me deixavam desconfortável.
Há meia dúzia de anos um abraço marcou-me. Na Gare do Oriente despedia-me de um amigo, e depois de uma tentativa falhada um ano antes, naquele dia, naquela azáfama das pessoas que partem apressadas, demos aquele abraço. E continua a ser aquele abraço, diferente de todos os outros.
Por tudo isto, nem na forma escrita uso abraços normais. Os meus abc são quase sempre assim, num formato shortcut...
Sempre tive mais facilidade de comunicação com mulheres do que com homens. Na adolescência e na faculdade esforcei-me por ter amigos rapazes mas, embora os tivesse, soava-me a falso. Comecei a trabalhar e fiz amizades masculinas que duram mas, mais uma vez... continuou e continua a saber a pouco. Quando comecei a relacionar-me com gays percebi que as conexões era mais naturais. Chamem-lhe empatia, radar, magnetismo, etc..., Com o passar dos anos vou achando as amizades gays cada vez mais atractivas e vou tendo menos paciência para amizades com heteros (sejam homens ou mulheres).
Porquê? Porque somos diferentes, temos sensibilidades distintas e gostos com outras abrangências. As mulheres, por regra, entendem-se melhor com mulheres a falar de coisas de mulheres; os homens (heteros), por norma também se entendem melhor com outros heteros a falar de "coisas de homens" e; portanto, parece-me cada vez mais natural que os gays tenham o seu núcleo duro de amigos no mundo gay.
Concluindo: gosto e tenho necessidade de ter amigos gays.
Estava na casa de uns amigos que têm um bebé com poucos meses, quando, a dada altura, a mãe do garoto decidiu trocar-lhe a fralda. Nesse momento os gajos presentes aproximaram-se todos para ver o tamanho da pila do gaiato e teceram diversos comentário sobre o tamanho da dita: que estava muito bem, que estava no bom caminho, etc... É nestes momentos que a distância entre o machismo e a bichice me parece muito curta.
Às tantas, iniciou-se a seguinte conversa entre um dos gajos e mãe do garoto:
Gajo: Temos que o levar à escola para ver as meninas.
Mãe: E se ele gostar de meninos?
Gajo: Não pode. Se for preciso começa pelas amigas da irmã.
Mãe: Mas ele pode gostar de meninos...
Gajo: Ele vai ao futebol e ver revistas da Gina, e pode gostar do que quiser, desde que seja de meninas...
Esta semana ouvi vários lamentos de amigos/conhecidos, em estado de carência afectiva e de desânimo com a vida. E são homens modernos, que moram em cidades pequenas mas com qualidade de vida, com mobilidade, com boas redes sociais (daquelas reais, à antiga) e com o mundo na ponta dos dedos. Será este o paradoxo do século XXI?.
Ontem morreu um dos homens que mais contribuiu para globalizar as nossas vidas. Mas aqui estamos nós, cada vez mais globalizados e aparentemente mais isolados, solitário, carentes, desiludidos, desanimados... mesmo sabendo que não estamos sozinhos.
"Temos 5 dedos numa mão, um para cada um dos amigos que faremos durante a vida; temos 5 dedos na outra mão, para contá-los".
Este dito (africano, suponho), foi-me dito por um amigo há largos anos; Na altura tinha mais de meia mão-cheia de amigos, de amizades cúmplices que, sem dúvida, eram os melhores amigos que tinha tido; Hoje, desses, não resta nenhum: as distâncias, em dois dos casos, e o corte de relações no outro, deixaram tudo na estaca zero em parcos meses.
Há dias, na já comentada leitura astral, em remate de conversa, como se fosse uma coisa de somenos, falámos nas amizades; Fiquei a saber que eram regidas por um tal planeta que tornava essas relações difíceis e cheias de perdas.E de facto, assim tem sido, mas, apesar das mágoas, talvez não haja nada a fazer, se está escrito nas estrelas...
Tenho amigos e amigas espalhados por todo o lado (em Lisboa, de Norte a Sul, nas ilhas, além fronteiras...), mas nenhum deles é O grande amigo intemporal (naturalmente o namorado está noutro patamar). E embora não me faltem amigos (alguns dos quais, que lerão este post, são grandes amigos beirões), as distâncias deixam-os por outras bandas e obsta e que as amizades possam ser ainda maiores; Mas talvez o tempo me prove o contrário.