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2012/06/10

PIXEL 1 e 2: concursos de pequenas histórias LGBT


Hoje, comemoramos o 10 de junho com o lançamento do ebook PIXEL.
Neste publicação podemos encontrar a grande maioria das histórias que integraram as duas primeiras edições do PIXEL - Concurso de pequenas histórias lgbt.
O download das várias versões (kindle, ipad, iphone, outros tablets, PC, papel, etc...) pode ser feito em http://www.indexebooks.com/
Quem não está familiarizado em ler ebooks, pode encontrar os esclarecimentos necessários em http://www.indexebooks.com/ebooks.html
Resta-me dizer que valeu a pena ter provocado este acontecimento :-)

2012/06/05


Quando se iniciava a segunda edição do PIXEL – CONCURSO DE PEQUENAS HISTÓRIAS LGBT, recebi o convite da INDEX ebooks, para que o conjunto de pequenas histórias, das duas edições do concurso, pudesse ser publicado num ebook.
Com a concordância da grande maioria dos autores das histórias participantes nas duas edições do PIXEL, esse projeto tomou forma e está prestes a ser publicado.
Assim, no dia 10 de junho, assinalaremos as comemorações do dia de Portugal, de Camões e das comunidades portuguesas, com o lançamento do PIXEL em formato de ebook, numa divulgação conjunta dos blogues dos participantes do PIXEL.
Comemoraremos, desta forma, a literatura LGBT em língua portuguesa :-)

2011/12/06


E o vencedor do PIXEL | 1.º CONCURSO DE PEQUENAS HISTÓRIAS LGBT é o Arrakis (Mélange) com a História #06 - BROMANCE.

Parabéns ao Vencedor, às finalistas e aos restantes participantes.

Relembro e alerto que o e-mail/convite enviado há uma semana a todos os participantes ainda aguarda resposta de alguns.

Fica o registo dos resultados finais.

2011/12/05


Contam-se as últimas horas de votação (poll disponível no topo do blogue), para escolha da história vencedora do PIXEL | 1.º CONCURSO DE PEQUENAS HISTÓRIAS LGBT. A disputa ainda parece acesa...

Relembro que os 3 finalistas do concurso são:

História #06 - BROMANCE
Autor: Arrakis (Mélange)




História #16 - REDENÇÃO 
Autora: Inês (Tales of Gondwana)

  
Actualização: Era suposto a votação ter terminado às 20h00, como estava programado, mas a aplicação de sondagens do blogger diz que são mais 7 horas, portanto, são mais 7 horas.

2011/11/28


Contados os votos, estão apurados os finalistas do PIXEL | 1.º CONCURSO DE PEQUENAS HISTÓRIAS LGBT.
E, por ordem de publicação, os 3 finalistas do concurso são:


História #06 - BROMANCE
Autor: Arrakis (Mélange)




História #16 - REDENÇÃO 
Autora: Inês (Tales of Gondwana) 


A poll de votação fica no topo da coluna da esquerda até segunda-feira, às 20 horas.

As restantes histórias ficam, oficialmente, todas em 4.º lugar. Os resultados da primeira fase serão enviados a todos os participantes depois de apurado o vencedor. 

2011/11/27


Já foram recebidas as votações de todos os jurados. AMANHÃ saberemos quais são as 3 histórias finalistas e será aberta a poll de votação para escolha do/a vencedor/a.

2011/11/22



As histórias concorrentes ao PIXEL | 1.º CONCURSO DE PEQUENAS HISTÓRIAS LGBT, já estão todas publicadas. A primeira fase da votação fica a cargo dos autores das 18 histórias e posso adiantar que, estando em curso há menos de 24 horas, decorre a muito bom ritmo.
Quando estiverem apurados os finalistas a votação continua aqui, em poll aberta a todos os seguidores e leitores do blogue.

2011/11/20



ÚLTIMO DIA...
O prazo para recepção das histórias concorrentes ao PIXEL | 1.º CONCURSO DE PEQUENAS HISTÓRIAS LGBT, termina hoje, Domingo, 20 de Novembro.
O regulamento está disponível AQUI.

2011/11/19



História #18
Autor: K. (Despersonalização personalizada)

EU. TU. NÓS?

Que será feito de nós?

Daremos as mãos algum dia, não no habitual cumprimento, tímido, mas num gesto em que te puxo para mim para sussurrar “amo-te” ao ouvido?

Os nossos lábios alguma vez provar-se-ão ou ficaremos a roer as unhas para que eles não cheguem a saber aquilo que perdem?

Atiraremos as t-shirts para o chão e passaremos o embaraço da primeira vez ou vamos fingir que apenas gostamos da roupa um do outro?


Que será feito de nós?

Sorriremos apaixonadamente um para o outro daqui a anos ou vamos fingir que nunca nos conhecemos?

Partilharemos o pequeno-almoço ainda em pijama e depois sairemos juntos para o trabalho ou vamos virar as costas quando nos cruzarmos no corredor das bolachas no supermercado?

Rir-nos-emos da maneira peculiar como nos conhecemos ou vamos dizer que tudo não passou de um erro?

Sim, que será feito de nós? Eu vou ser eu e tu vais ser tu, mas alguma vez chegará a haver um nós diferente daquele que já existe? Debato-me frequentemente com a pergunta, mas tenho medo de ta fazer. Bons amigos são difíceis de encontrar, talvez não deva querer mais do que isso. O medo de te poder perder é talvez maior do que a vontade de pousar a mão no teu peito para sentir o teu coração enquanto te vejo dormir a meu lado.


Talvez…

2011/11/17


Faltam 3 dias...
 
O prazo para recepção das histórias concorrentes ao PIXEL | 1.º CONCURSO DE PEQUENAS HISTÓRIAS LGBT, termina no próximo Domingo, 20 de Novembro.
O regulamento está disponível AQUI.

2011/11/13



História #17
Autor: Adam Wilde (Divagações...)

O QUE É QUE NOS ACONTECEU?

Irónico como a vida passa a correr, num fechar e abrir de olhos passaram-se 10 anos e o que ficou entre esse fechar e esse abrir não é mais do que nevoeiro que nos impede de perceber que o tempo passou, que aquilo que vivemos, foi real…
Ainda ontem éramos nós, tu e eu, tardes de brincadeiras, de invenções, de mil e uma oportunidades.
Éramos como irmãos, e como irmãos tínhamos as nossas brigas, mas como melhores amigos tudo era resolvido em pouco tempo.
Descobrimos tanta coisa juntos, vivemos tanta coisa juntos, construímos tanta coisa juntos… e olha para nós agora: somos dois desconhecidos que nem se falam quando nos encontramos na rua.
O que é que nos aconteceu? Onde estão as nossas tardes, as nossas brincadeiras, as nossas invenções?
Como é que acabou tudo isso?
Tenho para mim, que não passamos de perfeitos desconhecidos por desconhecermos a razão que levou ao nosso afastamento… No entanto, não quero acreditar que tenha sido a ordem natural das coisas, porque era mágico o que nós tínhamos! Hoje, passados todos estes anos, em que o nosso contacto se foi tornando cada vez menor, até desaparecer, recordo a nossa infância, juntos. Gostava de reviver todos os nossos momentos, porque eram mágicos, porque eram felizes, porque éramos inocentes… E acima de tudo, porque nunca encontrei ninguém como tu.


História #16
Autora: Inês (Tales of Gondwana)

REDENÇÃO

Quão mal nos pode um arrependimento fazer? Finjo procurar a réplica quando sei o quão pouco me importa. Tornei-me cega aos meus medos, surda aos receios que por tantos anos me limitaram… Mas fi-lo tarde, não concordas? Não precisas de o dizer. Vejo-o em cada gesto, cada riso de amor ou palavra de carinho que com ela dispensas. Tremo pela minha inaptidão, pelo que poderia ter tido e rejeitei.

Não fora o momento certo. Não estava preparada, nem para mim, nem para os outros. Temia os olhares alheios, as palavras sussurradas, os insultos gritados… Receava, acima de tudo, admiti-lo a mim mesma. Desejava-te, sem saber o porquê. Guardava-te pela amizade que tanto necessitava, negando que a insatisfação do desejo de mais se alojava no meu peito com uma profundidade cada vez maior. Amava-te. Amava-te e por isso te receava.

Não te diverte o quão estupidamente rejeitamos o que almejamos? Quis ter-te e deste-me o que desejava. Verteste-me a tua alma, prometeste-me o teu amor… Penso no quanto te deverei ter quebrado ao negar o que ambas partilhávamos. Estupidamente – humanamente.

É um castigo o que agora sofro? Ver-te, amar-te? Ter possuído tudo, e tudo perdido? Saber-te inalcançável, longe da afeição que por mim nutrias? Da amizade que nos enlaçava o bem-querer?

Amo-te. Quis dizer-to, fazer-te saber que to retribuía. Bem sabes como não fui capaz… Digo-o agora, meu anjo, ao silêncio que compartilhamos: amo-te.

2011/11/12



História #15

OH, COMO VOU TE ESQUECER? / EU FICAREI BEM, SÓ ESTA NOITE É QUE NÃO

Há momentos em que há uma qualquer semente que se implanta. E pouco a pouco, com um olhar, um sorriso, um simples gesto, vai crescendo e ganhando raízes. Uma semente com vida própria, contrariando aquilo que a nossa cabeça nem sequer ousa imaginar. E à medida que a amizade se vai desenvolvendo, a semente cresce, ganha caules, folhas e desenvolve um bonito botão. E a mente tenta reprimir esse sentimento o mais que pode, porque sabe que esta semente, agora flor, irá murchar e desaparecer. Mas a semente cresce ainda mais, inundando a mente de sonhos e ilusões, culminando num desabrochar de uma deslumbrante flor. E algo acontece, um algo que sentencia a morte prematura dessa flor. De que esse alguém, que implantou, sem querer, essa semente parasita, se encontra já acorrentado a um outro ser. E a mente vagueia entre a loucura e a razão; entre a vontade imensurável de quebrar barreiras e lançar-se, mesmo caindo no abismo imenso e a consciência de que vale a pena afastar esse sentimento para que, pelo menos, a amizade permaneça. E a flor morre, não murchando, mas sendo despedaçada pétala por pétala e folha por folha, escarafunchando cada pedaço de alma até que todas as raízes estejam arrancadas. Mas a semente continua lá, sem forças para voltar a germinar, mas com força suficiente para, de vez em quando, palpitar bem dentro do coração.

Good friends are hard to find, so just hide what more that is there.

2011/11/11



História #14
Autor: James (A Arca no Sótão)

SEGUNDO A SEGUNDO CAMINHAMOS

Tic. Tac. Tic. Tac. Acordo… Melhor, não consigo adormecer com o som aguçado e compassado do relógio da mesa de cabeceira. Os pensamentos divagam no escuro, procurando e ansiando pelo seu rosto… Lembro-me dos cabelos castanhos, dos olhos azuis como o profundo mar de mistérios que era a sua alma… E lembro-me ainda das suas últimas palavras...
- Há algo que te quero contar… - Disse, tímido e hesitante.
- Sabes que me podes contar tudo! – Tranquilizei.
- Qualquer coisa?
- Sim.
- Eu tenho-me sentido… Não sei como.
- Como? – Desafiei.
- Pois… Acho que tudo à minha volta já não faz sentido.
- Sabes que eu estou cá sempre para ti.
- Mas será que lá estás para mim como eu estarei para ti?
- Que queres dizer?
- Quero dizer que posso desiludir as pessoas.
- Porquê?
- Porque… Tenho tendência para o fazer quando me sinto assim sozinho.
- Eu vou estar sempre contigo. – Afirmei.
- E eu contigo. – Replicou.
Mas… Agora? Agora sobra-me apenas a sua imagem, a sua memória, pois ele já não caminha a meu lado como outrora sempre fazíamos. Estava de tal maneira a sentir-se sozinho que decidiu caminhar em direcção ao abismo negro e deixar-me para trás. E agora, quem se sente sozinho sou eu, pois sei que nunca encontrarei ninguém como ele. Tic. Tac. Tic... Finalmente, ao som compassado do relógio, adormeço… E encontro-o em sonhos. Afinal, ele cumpriu a promessa e caminha comigo na minha memória. Para sempre.

2011/11/08



História #12
Autor: Francisco (Um Deus Caído do Olimpo)

(Antes de começarem a ler, sugiro que oiçam a música em questão em cada tópico: Obrigado)

Leona Lewis - A Moment Like This
Estávamos no ano de 1993, o local estação Fluvial de Belém.
Pára um carro ao lado do meu. Depois de algumas palavras, vou até ao carro dele. Assim, que entro parece-me um deus caído do olimpo. Não era um deus, mas sim um modelo internacional bastante conhecido. Os nossos corpos juntaram e transpiraram muito naquela noite.

Ace of Base - Don't Turn Around
Eu não acredito que me ame. Até que um dia, ele diz-me que gosta muito de mim, mas que vai para Londres trabalhar e viver. Que tinha perdido a minha oportunidade.

Bon Jovi - I'll Be There For You
Coincidência do Destino ou não, pouco depois da morte da minha mãe. Voltámos a falar, até só falávamos nos aniversários e Natal. Contei-lhe que a minha mãe tinha falecido e como a minha vida tinha mudado. Ele disse-me: - Esta noite, vou jantar contigo. Vai ter comigo ao aeroporto.

Leona Lewis - Run
Estivemos juntos durante aquele fim de semana. Ele tinha seguido o caminho dele, eu o meu. Vidas tão diferentes, mas no Amor, tudo igual.

Ed Harcourt - Good Friends Are Hard To Find
Nos dias de hoje, falamos 3 a 4 vezes por ano. Eu sei que ele vai lá estar quando eu precisar. Do mesmo modo, como ele sabe que eu lá estarei, caso ele precise de mim.

Dana Internacional - Diva (Hebreu)
O último anúncio dele envolvia: Areia, Deserto, Petróleo, Carro, médio oriente...


História #11
Autor: Se7e (Umemcadase7e)

TEMPO DE AMOR

Madrugada. O infernal vento não deixava dormir, na cama que comprei há uma dúzia de anos. Perguntava-me ao olhar, se iria morrer nela... Já estava farto da vida. As aulas, a galeria, a minha irmã com cancro, sem ti. Tudo se tornava penoso como infindável e de estupidez incrível.
Agarrei nos chinelos, para suportar melhor o frio e caminhei as escuras até a sala. Com um uísque sentei-me ao pc. Abri uma série de pastas e dei com muita coisa inacabada. Sonhos, rematei dentro de mim. Ao lado, uma dúzia de cartas. Entre tantas dei com uma de letra pequena: “acabei de passar por ti, mas nem deste conta. Tas igual, tirando esses óculos que te dão um ar de pintor demente. Recordei o verão que passamos em Leça. Os teus olhos não mentem sobre o teu estado interior. Consegui a tua morada na galeria donde saias.
Deixo-te o meu mail, abc, Afonso”
Fiquei fulo com a Graça, como podia ela ter dado a minha morada a um sujeito que nem conheço. Em vez de ficar no nada sentado, fui para a cama fazer nada. Em pensamentos e viravoltas de imagens com quem já tive, nunca me apareceu um Afonso. Mas a imagem de alguém que conheci em Leça. Tudo fazia sentido. Fui a correr ao pc, entrei no mail, e carreguei numa pasta, onde encontrei o que desejava, texto escrito em finais desse verão, ainda guardado por sorte:
“Não me pertenço, nem a ti. Se te amo por razões que não conheço... esse gesto com que tiveste para comigo? Entrar para salvar alguém naquelas situações, não foi de herói, mas de amante. Fugi de ti. Porque menti a mim próprio. Não procuro perdão. Mas alguém em quem ache um pouco de sentido”
Fiquei pronto para o enviar. Mas, não o fiz! Acabei por pegar na foto que tinha na mesa. Apertei-a ao peito e sussurrei com amor: não te esqueço!


História #10
Autor: Meia Noite e um Quarto (00:15)

“ - Preciso contar-te uma coisa.
- Sim! Diz, estás à vontade!
- Eu tenho namorado.
Senti um peso cá dentro, mas sentia-me grato pela honestidade.
- Pronto, sem problema nenhum, estamos acima de tudo a construir uma boa amizade e é isso o que eu mais quero.
- Eu gosto muito de ti.
...

- Estou?!
- Olha estou a ir para o Porto! Chego às 21H50!
- ´Tás a brincar?!
- Não! Preciso estar contigo! Podes estar comigo?
- Posso claro! Claro!! Vou ter contigo à estação!
...

-Então o que aconteceu?
- Eu e o Luís tivemos uma discussão, pedi um tempo, fiz a mala, bati com a porta e apanhei o 1.º comboio.
...

- Gostas de Tracy Chapman?
- Gosto pois!
- Esta música é para ti...
Beijou-me... senti o roçar da cara áspera no meu ombro, senti-lhe as mãos num contraste suave escorregando pelas minhas costas. Olhei para o relógio, 00:43... que bom, era tão cedo.
- Amo-te... - soou-me tão quente, naquela brandura azul da madrugada.
...

- O Luís veio falar comigo hoje, veio cá ter a casa. Quer resolver as coisas mas estou tão confuso!
- Dá-lhe uma segunda oportunidade, estão juntos há três anos, ele merece essa oportunidade. Eu amo-te, mas não posso viver com o fantasma de algo que terminou por minha causa. Dá-lhe a oportunidade!
...

- Porque te afastaste? Porque nos afastámos?
- Porque falar contigo dói! Ter-te tido, e ter-te perdido, dói! Não consegui ser teu amigo! Não, depois de tudo o que passámos. Estragámos a Amizade, misturámo-la com Amor...”

2011/11/07



História #09
Autor: Speedy (Hammering in my shell)

ELES

Tudo em mim anseia pelo mesmo que ele: o nosso momento aproxima-se. Já não me importo com o que os outros pensam. Só me preocupo com ele porque mais ninguém me virá procurar. Não depois do que disse. Não depois do que fiz.
Escolhi o momento, usei as palavras certas - embora tímidas - e não deixei espaço para equívocos. Enchi o silêncio de certezas e eles responderam-me com raiva e confusão. Feridos, não entendiam porque eu sorria. Pela primeira vez, eu revelava-me vulnerável mas estava de cabeça erguida. Eu queria-os na minha vida mas já não precisava deles. Tentaram-me quebrar mas já não necessitava do seu amor, da sua compreensão, das suas orações pela minha pobre alma destinada a arder. Tudo o que precisava era que olhassem nos meus olhos e que conhecessem finalmente o meu verdadeiro Eu. Sem ilusões e falsos artifícios. Era eu que estava à frente deles. Despido de mentiras.
Ainda assim, preferiram fitar o chão.
Sei que eles eram o suficientemente fortes para me abraçarem.
Faltou-lhes coragem.

2011/11/06



História #08
Autora: Bianca (Cabra branca)

UMA ESTRELA NUM BARCO DE PEDRA 

A mãe gritara, chamava-a ecoando uma voz branda, vinda do piso inferior... Ivoneeeeee, vem à porta, anda, é a tua coleguinha da escola, ela chegou!
Criança remexida, Ivone intempestiva e inesperada saltou da cama, correu para as escadas. O rabo pelo corrimão deslizou... mas em tamanha excitação deu embate ao desequilíbrio, ninguém calcularia, a frio no chão caía. Ivone paralisaria. 
Rita à chegada fora assaltada, a sua amiga ali no chão estava, as lágrimas já ninguém as segurava e a sirena da ambulância assim chegava.
Vinte anos passaram, Ivone sentada ao lado da janela, ali estava, numa casa rasa que lhe servia, não tempestades, ali não as havia e tocadelas de campainha raramente acontecia. Ivone de olhar meigo e perdido, fitava as poças de água de lá de fora, pensava como uma simples pinga de choro as agitaria, mas lágrimas já não escorriam e um pé sim, esse as sacudiria. A campainha tocou, a cadeira rolou até à porta que destrancou. Era a Rita, ela chegou. Falar não falou, sorriu, como sempre um sorriso terno que atrás de si a porta fechou, a colo Ivone içou, pelo corredor a levou e já no quarto a deitou. Rita desnudou-a com meiguice, tocou, acariciou e beijou, despiu Ivone com jeitos de anseio e em desejos elevou. Ivone, os olhos fechou e um longo e afável prazer inspirou.