Alice doesn't live here anymore.*
A Alice era minha vizinha quando eu era pequeno, e proporcionou-me o meu primeiro desgosto de amor. Eu teria uns 6 anos e ela passava dos 20. Prometeu-me que casava comigo e eu acreditei, mas casou com outro, e ainda tive que ir ao casamento. Passei uns anos sem a ver e há pouco tempo encontrei-a num casamento (é a sina). Reencontra-la - quase nos 50, mas ainda encantadora - trouxe-me à memória o meu fetiche de adolescente por mulheres mais velhas. Curiosamente só por mulheres. Efectivamente já achava graça a gajos nessa altura e enquanto via a minha irmã e as amigas a babarem-se por rapazes mais velhos, eu já olhava para os mais novos.
Recentemente, tenho ouvido vários amigos a defenderem a teoria de que quando somos mais novos gostamos de pessoas mais velhas, e que essa tendência se inverte à medida que envelhecemos. Esta regra até parece que proporciona algum equilíbrio ao "ecossistema", mas tirando este episódio prematuro da Alice e o fetiche da adolescência, isso nunca mais se passou comigo. Passei os 20's a achar graça aos de 20, e nos 30's assim tem continuado. É inato e os factos dizem-me que não há nada a fazer.
Sobre idades e fetiches, ao som de Alice (Tom Waits).
(*) "Alice doesn't live here anymore", é um clássico de Scorcese, de 1974, vencedor do Oscar para melhor atriz e um dos primeiros filmes de Jodie Foster.